Ouça um Trecho do Livro: A Ignorância – Milan Kundera

“A vida do homem dura em média oitenta anos. É contando com esta duração que cada um imagina e organiza a sua vida. O que acabo de dizer é uma coisa que toda a gente sabe, mas raramente nos damos conta de que o número de anos que nos é atribuído não é um simples dado quantitativo, uma característica exterior (como o comprimento do nariz ou a cor dos olhos), mas faz parte da própria definiçao do homem. Alguém que pudesse viver, com toda a sua força, digamos, cento e sessenta anos, não pertenceria à mesma espécie que nós. Já nada seria semelhante na sua vida, nem o amor, nem as ambições, nem os sentimentos, nem a nostalgia, nada. Se um emigrado, depois de vinte anos vividos no estrangeiro, regressasse ao país natal com cem anos de vida ainda à sua frente, pouco experimentaria da emoção de um Grande Regresso, provavelmente para ele isso nada teria de um regresso, não passando de mais uma das voltas do longo percurso da sua existência.

Porque a própria noção de pátria, no sentido nobre e sentimental da palavra, liga-se à relativa brevidade da nossa vida, que nos proporciona muito pouco tempo para que nos apeguemos a outro país, a outros países,a outras línguas.

As relações eróticas podem preencher toda a vida adulta. Mas se essa vida fosse muito mais longa, não asfixiaria o cansaço a capacidade de excitação, muito antes de as forças físicas declinarem? Porque há uma enorme diferença entre o primeiro, o décimo, o centésimo,o milésimo ou décimo milésimo coito. Onde fica a fronteira para lá da qual a repetição se torna estereotipada, senão cômica, ou até impossível? E transposto esse limite, em que se transformará a relação amorosa entre um homem e uma mulher? Desaparecerá? Ou pelo contrário, considerarão os amantes a fase sexual da sua vida a pré-história bárbara de um verdadeiro amor? Responder a estas perguntas é tão fácil como imaginar a psicologia dos habitantes de um planeta desconhecido.

A noção de amor (de grande amor, de amor único) nasceu, também ela, provavelmente, dos estreitos limites do tempo que nos é dado.
Se esse tempo fosse ilimitado, seria Joseph, tão ligado à sua mulher falecida? Nós que devemos morrer tão cedo, não sabemos.”

A Ignorância – Milan Kundera

Leitora: Jussara Trindade

Um pouco mais sobre Milan Kundera:

milan kunderaMilan Kundera nasceu a 1 de abril de 1929, em Brnö, na antiga Checoslováquia. Em 1975 fixou residência em Paris, tendo, em 1981, adotado a nacionalidade francesa. Autor de uma vasta obra, que abrange o romance, o ensaio e a poesia, é considerado um dos mais importantes escritores do século XX.

A Insustentável Leveza do Ser é a sua obra mais aclamada pelos leitores e pela crítica, e em muito contribuiu para o tornar num autor reconhecido internacionalmente. Entre outros, foram atribuídos a Milan Kundera o Prémio Médicis (1973), o Prémio Mondello (1978), o Prémio Common Wealth (1981), o Prémio Jerusalém (1985) e o Prémio Independent de Literatura Estrangeira (1991).

Um pouco mais sobre o livro A Ignorância:

a ignorancia capaA Ignorância foi escrito em 2000: Uma mulher e um homem encontram-se por acaso durante a viagem de regresso ao país natal, de onde emigraram vinte anos atrás. O enredo está centrado na possibilidade de recuperarem uma estranha história de amor, que então, na sua terra, fora apenas iniciada.

Entretanto, depois de tão larga ausência, as suas lembranças não se assemelham. Nossa memória só é capaz de reter uma pequena parcela do passado, sem que ninguém saiba por que precisamente essa e não outra. Vivemos imersos num imenso esquecimento e não nos preocupamos com isso. Só aqueles que, como Ulisses, regressam vinte anos depois à sua ítaca natal podem ver de perto, atônitos e deslumbrados, a deusa da ignorância.

Este livro aborda a emigração, imposta ou voluntária.

Um pouco mais sobre a leitora Jussara Trindade:

jussara trindadeJussara é paulista, formada pela PUCSP, com duas pós graduações: em letras e literatura brasileira, escritora (ghost writer) a dez anos, ela escreve de tudo, de biografias até artigos científicos. É uma leitora contumaz, muito exigente com a leitura e não dá moleza para os escritores contemporâneos. Dona de um alto padrão de qualidade literário, é frequentemente solicitada pelo mercado, e além de ghost writer, escreve críticas, sinopses e resenhas de livros.

Cinéfila de carteirinha, já teve um trabalho publicado: Sob o Signo do Silêncio, uma análise fílmica e literária de Vidas Secas, do Graciliano Ramos, obra na qual se dedicou por três anos.

O talento de Jussara vai além, também se aventurando pela música em uma parceria com o Adriano Rodrigues, na qual já foi autora de algumas letras.

o céu é meuJussara atua com um pseudônimo, um nome literário com o qual já escreveu alguns prefácios e artigos na internet.

É autora do prefácio do livro O Céu é Meu, da Patrícia Maês.

 

 

Não, seu talento não se esgota: Ela tem pronto, reservado em seu tesouro pessoal, um livro de poesias, obra que sua humildade afirma “não ser boa o suficiente para publicar” (mas é LÓGICO que é boa, Jussara!), ela só aceita fazer com profundo significado.

Jussara sonha em se dedicar para que a verdadeira arte não morra, abrindo espaço para que aqueles que com genuíno e legítimo talento, fazem arte, continuem produzindo, mesmo embora ignorados e esquecidos pelo show business.

Também atua como consultora de textos científicos para alunos que estão finalizando doutorado, mestrado, e graduação.

É possível contatá-la através de seu perfil no Facebook clicando aqui, ou procurando pelo nome completo.


Quer participar das leituras? Então siga as instruções:

whatsappLeia e envie o trecho do seu livro favorito (pode ser qualquer livro!) para o whatsApp (11) 95331-2459, que será montado um artigo especial sobre seu livro e você. É fácil, simples e prático assim!

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Ouça um Trecho do Livro: Dom Casmurro – Machado de Assis

“Uma noite desta, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.

— Continue — disse eu acordando.
— Já acabei — murmurou ele.
— São muito bonitos.

Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro.”

Dom Casmurro – Machado de Assis

Leitora: Andreza Avelina

Um pouco sobre Machado de Assis:

Machado_25_anosJoaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um escritor brasileiro, amplamente considerado como o maior nome da literatura nacional. Escreveu em praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista, e crítico literário. Testemunhou a mudança política no país quando a República substituiu o Império e foi um grande comentador e relator dos eventos político-sociais de sua época.

Nascido no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, de uma família pobre, mal estudou em escolas públicas e nunca frequentou universidade. Os biógrafos notam que, interessado pela boemia e pela corte, lutou para subir socialmente abastecendo-se de superioridade intelectual. Para isso, assumiu diversos cargos públicos, passando pelo Ministério da Agricultura, do Comércio e das Obras Públicas, e conseguindo precoce notoriedade em jornais onde publicava suas primeiras poesias e crônicas. Em sua maturidade, reunido a colegas próximos, fundou e foi o primeiro presidente unânime da Academia Brasileira de Letras.

Sua extensa obra constitui-se de nove romances e peças teatrais, duzentos contos, cinco coletâneas de poemas e sonetos, e mais de seiscentas crônicas. Machado de Assis é considerado o introdutor do Realismo no Brasil, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881).

Um pouco mais sobre o livro Dom Casmurro:

dom-casmurro-2Bentinho e Capitu são criados juntos e se apaixonam na adolescência. Mas a mãe dele, por força de uma promessa, decide enviá-lo ao seminário para que se torne padre. Lá o garoto conhece Escobar, de quem fica amigo íntimo. Algum tempo depois, tanto um como outro deixam a vida eclesiástica e se casam. Escobar com Sancha, e Bentinho com Capitu.

Os dois casais vivem tranquilamente até a morte de Escobar, quando Bentinho começa a desconfiar da fidelidade de sua esposa e percebe a assombrosa semelhança do filho Ezequiel com o ex-companheiro de seminário.

Um pouco sobre a leitora Andreza Avelina:

andreza avelinoAndreza tem 20 anos, mora em Caetés, Pernambuco, sua cidade natal.

Uma garota caseira e muito culta, que gosta de ler e estudar, e que ocupa seu tempo com o que há de melhor na cultura.

“Meu sonho é ser médica veterinária” – Afirma Andreza

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Poemas Recitados: Vinicius de Moraes – Leão

Poema: Leão de Vinicius de Moraes

Recitado na voz de Luciane Oliveira.

A mulher de Leão
Brilha na escuridão.

A mulher de Leão, mesmo sem fome
Pega, mate e come.

A mulher de Leão não tem perdão.
As mulheres de Leão
Leoas são.

Poeta, operário, capitão
Cuidado com a mulher de Leão!

São ciumentas e antagônicas
Solares e dominicais
ígneas, áureas e sardônicas
E muito, muito liberais.

Vinicius de Moraes – Leão

Um pouco sobre Vinicius de Moraes:

vinicius-de-moraesVinicius de Moraes, nascido Marcus Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 — Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980) foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro.

Poeta essencialmente lírico, o que lhe renderia a alcunha “poetinha“, que lhe teria atribuído Tom Jobim, notabilizou-se pelos seus sonetos. Conhecido como um boêmio inveterado, fumante e apreciador do uísque, era também conhecido por ser um grande conquistador. O poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida e suas esposas foram, respectivamente: Beatriz Azevedo de Melo (mais conhecida como Tati de Moraes), Regina Pederneiras, Lila Bôscoli, Maria Lúcia Proença, Nelita de Abreu, Cristina Gurjão, Gesse Gessy, Marta Rodrigues Santamaria (a Martita) e Gilda de Queirós Mattoso.

Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. Ainda assim, sempre considerou que a poesia foi sua primeira e maior vocação, e que toda sua atividade artística deriva do fato de ser poeta. No campo musical, o poetinha teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.

Um pouco sobre o poema Leão:

livro-a-mulher-e-o-signo-Vinicius-de-MoraesNuma tentativa de leitura fiel da natureza humana feminina nascida sob cada um dos signos do zodíaco seguido no ocidente, compôs Vinicius de Moraes(1913-1980) 12 poemas que foram pela primeira vez publicados no primeiro número de 1971 de Manchete, como presente de Ano Novo aos leitores da revista.

Estes poemas forma posteriormente editados em livro, Um signo uma mulher, sob os cuidados de Pedro Moacir Maia, em Setembro de 1975, em Buenos Aires.

 

Um pouco sobre Luciane Oliveira:

luciane oliveira2Luciane é paulista, leonina, artista de soutache, trabalha com a beleza feminina, é comunicativa, inteligente e romântica.

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Poemas Recitados: Pablo Neruda – Te Amo

Poema: Te Amo de Pablo Neruda

Recitado na voz de Talita Moura.

Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

Pablo Neruda


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Pelas Portas do Coração – Zibia Gasparetto

Dificuldades nos relacionamentos?

pelas portas do coração

Zibia Gasparetto no livro Pelas Portas do Coração, apresenta a história de Juliana e ensina a aceitar as coisas como elas são, valorizando o bem e a espiritualidade, abrindo as portas do coração.

Com mais de 500 mil exemplares vendidos desde seu lançamento e uma infinidade de depoimentos de leitores que relatam como esta obra modificou sua percepção a respeito da espiritualidade, ‘Pelas Portas do Coração‘ está com nova edição, com nova capa, projeto editorial moderno e em conformidade com o novo acordo ortográfico. A protagonista da história, filha caçula de uma família tradicional paulistana, não só é capaz de prever o futuro, como também tem a capacidade de curar as pessoas e orientá-las com sábias palavras. A personagem não se confundiu com o mundo, aceitou a mediunidade sem hesitação, tornou-se um canal do bem e dos valores da espiritualidade, com firmeza e serenidade, abrindo apenas as portas do coração.

Há uma série de vídeos sobre Zibia no canal da Editora Vida & Consciência no Youtube.

Toda obra de Zibia é impressionante, vale a pena conferir e ler um a um de seus livros.

Para conhecer o canal da Editora Vida & Consciência no Youtube, clique aqui.

Para ver essa e outras as obras de Zibia Gasparetto, clique aqui.

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E boa leitura!

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